Tempo vem, tempo vai.
Quanto mais o tempo passa, mais você percebe que fica sem tempo.
Talvez não seja falta de tempo... Pode ser só mais uma daquelas estratégias para "se safar" de algo...
A falta de tempo sempre é uma ótima alternativa...
Falta tempo para comer, falta tempo para estudar, falta tempo para namorar, falta tempo para sair com os amigos, falta tempo para ficar com a família, falta tempo para fazer uma ligação no dia do aniversário de alguém (é... você já deu os parabéns pelo orkut...), falta tempo para malhar, falta tempo para "blogar", falta tempo para viver, falta tempo para ter tempo!
E quando você menos espera o tempo passa e você não teve tempo de ver o tempo passar.
Tempo vai, tempo vem, tempo voa...
Um fio de cabelo branco aparece. Preocupação?
Talvez... Ultimamento você não tem tido tempo nem para perceber que esse não é o primeiro fio branco... É o segundo! Ou seria o terceiro?
Dizem que é preocupação. Ou será o tempo que está passando mais depressa?
Não sei. Você deveria saber... Mas está sem tempo para pensar nisso agora.
Ah! Entendo. Falta tempo mesmo. Eu também estou sem tempo.
Mas, sinceramente, você deveria tentar ter mais tempo para ver o tempo passar, para deixar de perder o tempo.
Vai e vem, não perca tempo! Mas perca um tempo para ver o bom que a vida tem a oferecer naquele tempo.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
China - "eu tenho medo"
A internet surgiu como ferramenta fundamental para o exercício da democracia em países do Ocidente. Entretanto, nem todos os Estados permitem o acesso e publicação de determinados tipos de assuntos.
A China é um dos países que reprime os "ciberdissidentes", aqueles que violam as regras implementadas pelo governo para a navegação no mundo virtual. Lá existem cerca de 40 mil policiais destinados a controlar a rede que conta com 162 milhões de internautas. Com medo da repressão, alguns blogs filtram o conteúdo postado para que, antes da varredura policial, esteja tudo dentro da lei.
Se pensarmos que a China é o país com maior população no mundo e lembrarmos que ela vem ganhando cada vez mais espaço com a exportação de produtos, é possível perceber que o caso é ainda mais grave.
Mais grave ainda é pensar como a China consegue vender seus produtos a um preço tão abaixo do mercado. Trabalho escravo no século XXI?
Quais as condições de trabalho dessas pessoas?
Por que ainda existe censura em blogs?
É proibido se expressar?
Isso prejudicaria o governo chinês?
Segundo dados do Ministério de Relações Exteriores, o salário mínimo do trabalhador chinês é $70,00 e sua jornada de trabalho, que deveria ser de 40 horas semanais pode ultrapassar 60 horas. Só para comparar, no Brasil o salário mínimo é de $170,00 e, nos Estados Unidos o salário mínimo passa de $800,00. Apesar dos baixos salários, o trabalhador chinês tem um poder de compra relativamente elevado. Alimentação, moradia, saúde básica e ensino elementar são gratuitos ou subsidiados.
O problema é que, o baixo valor da mão-de-obra chinesa leva grandes empresas a migrar para lá e faz com que haja uma pressão internacional para a redução do preço da mão-de-obra.
Tá!
Mas o que tudo isso tem a ver com a censura da internet?
Acho que vale deixar você refletindo sobre a forma como a China tem tantos. Seria verdadeiros avanços?
Abertura para empresas multinacionais e censura da maior rede de integração mundial?
Como diria Regina Duarte, "eu tenho medo" do que está por vir.
A China é um dos países que reprime os "ciberdissidentes", aqueles que violam as regras implementadas pelo governo para a navegação no mundo virtual. Lá existem cerca de 40 mil policiais destinados a controlar a rede que conta com 162 milhões de internautas. Com medo da repressão, alguns blogs filtram o conteúdo postado para que, antes da varredura policial, esteja tudo dentro da lei.
Se pensarmos que a China é o país com maior população no mundo e lembrarmos que ela vem ganhando cada vez mais espaço com a exportação de produtos, é possível perceber que o caso é ainda mais grave.
Mais grave ainda é pensar como a China consegue vender seus produtos a um preço tão abaixo do mercado. Trabalho escravo no século XXI?
Quais as condições de trabalho dessas pessoas?
Por que ainda existe censura em blogs?
É proibido se expressar?
Isso prejudicaria o governo chinês?
Segundo dados do Ministério de Relações Exteriores, o salário mínimo do trabalhador chinês é $70,00 e sua jornada de trabalho, que deveria ser de 40 horas semanais pode ultrapassar 60 horas. Só para comparar, no Brasil o salário mínimo é de $170,00 e, nos Estados Unidos o salário mínimo passa de $800,00. Apesar dos baixos salários, o trabalhador chinês tem um poder de compra relativamente elevado. Alimentação, moradia, saúde básica e ensino elementar são gratuitos ou subsidiados.
O problema é que, o baixo valor da mão-de-obra chinesa leva grandes empresas a migrar para lá e faz com que haja uma pressão internacional para a redução do preço da mão-de-obra.
Tá!
Mas o que tudo isso tem a ver com a censura da internet?
Acho que vale deixar você refletindo sobre a forma como a China tem tantos. Seria verdadeiros avanços?
Abertura para empresas multinacionais e censura da maior rede de integração mundial?
Como diria Regina Duarte, "eu tenho medo" do que está por vir.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
De Cien Sonetos de Amor - Pablo Neruda
"Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, escondida, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o estreitado aroma que subiu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo diretamente, sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sono."
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas escuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, escondida, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o estreitado aroma que subiu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem de onde,
te amo diretamente, sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
a não ser deste modo em que não sou nem és,
tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
tão perto que se fecham teus olhos com meu sono."
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Obrigada amiguinh@s
Ontem foi o dia dos 20 anos...
Todo ano parece igual: mensagens, telefonemas, e-mails, scraps... Visitas em casa...
Gente que você pensa que nunca esqueceria a data especial... e acaba esquecendo.
Gente que você não espera que lembre... e fica feliz ao receber o carinho.
Existem aqueles que detestam essa "data querida", mas eu adoro. Fico "feito pinto em merda", feliz da vida por receber uma ligação atrás da outra... Me sinto especial um dia no ano. É como se aquele dia fosse meu. Mas acho que essa é a idéia.
Agora estava refletindo e percebi que preciso dar mais atenção a algumas pessoas.
O coração é grande... Sempre cabe mais uns...
Drummond diria:
"O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar"
Sintam um leve beijo na bochecha.
Uma forma de agradecer os que lembraram de mim ontem!
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Inconformados
É incrível como o ser humano sempre reclama das coisas da vida. Agora há pouco comecei a ficar entediada porque não tenho nada pra fazer... Há alguns dias eu estava feito louca sem ter tempo nem de pensar na famosa "morte da bezerra".
Aristóteles dizia que a virtude está no meio-termo, mas porque é tão difícil conseguir estar no meio-termo?!
Vivemos de excessos: muito trabalho, trabalho nenhum; muita comida, comida nenhuma; muito dinheiro, dinheiro nenhum!
Que diabéissopelamordeDeus!????!?!??!?!?!?!?!?!?!?!
Era tão bom se toda vida as pessoas pudessem descansar, comer, trabalhar, malhar, brincar, jogar, ver filme! Ai vida de sonho!
Mas eu parei um pouco e pensei: se fosse sempre assim não teria graça!
É claro que não teria graça!
Aí você deve pensar: tá louca?!
Mas pense bem: se sempre a gente fizesse as coisas certinho, programadinho, bonitinho, com tempo pra tudo, ia ser um tédio! Pelo menos pra mim!
Eu descobri que a graça da minha vida é justamente não saber como será o dia de amanhã... Pelo menos em partes.
A graça de você viver atolada de trabalho, de textos para ler, é justamente você aproveitar ao máximo os momentos de lazer que você tem! É que você vai valorizar os momentos... Pois cada um tem uma importância enorme na vida da gente.
Imagine: se você trabalhasse todo dia o mesmo tanto, comesse as mesmas coisas no mesmo horário, visse filmes no mesmo horário e com as mesmas pessoas! Será que seria mesmo divertido sempre?! Por mais que uma pessoa goste de trabalhar, de comer, de dormir, de ver filme, isso ia virar um tédio certo dia. Eu ia pirar.
Antes eu programava o fim de semana seguinte quando ainda estava terminando um fim de semana. Hoje eu não sei o que vou fazer amanhã...
Claro que nem tudo é assim na doida, né?! Eu tenho alguns compromissos...
Mas o melhor mesmo é "deixar rolar" e ser feliz...
Não vou falar a frase da Marta Suplicy, mas é melhor relaxar e aproveitar a vida, o que ela nos oferece. Nem todo dia é de alegria, mas podemos fazer com que o nosso dia seja melhor.
"Depende de nós..."
Aristóteles dizia que a virtude está no meio-termo, mas porque é tão difícil conseguir estar no meio-termo?!
Vivemos de excessos: muito trabalho, trabalho nenhum; muita comida, comida nenhuma; muito dinheiro, dinheiro nenhum!
Que diabéissopelamordeDeus!????!?!??!?!?!?!?!?!?!?!
Era tão bom se toda vida as pessoas pudessem descansar, comer, trabalhar, malhar, brincar, jogar, ver filme! Ai vida de sonho!
Mas eu parei um pouco e pensei: se fosse sempre assim não teria graça!
É claro que não teria graça!
Aí você deve pensar: tá louca?!
Mas pense bem: se sempre a gente fizesse as coisas certinho, programadinho, bonitinho, com tempo pra tudo, ia ser um tédio! Pelo menos pra mim!
Eu descobri que a graça da minha vida é justamente não saber como será o dia de amanhã... Pelo menos em partes.
A graça de você viver atolada de trabalho, de textos para ler, é justamente você aproveitar ao máximo os momentos de lazer que você tem! É que você vai valorizar os momentos... Pois cada um tem uma importância enorme na vida da gente.
Imagine: se você trabalhasse todo dia o mesmo tanto, comesse as mesmas coisas no mesmo horário, visse filmes no mesmo horário e com as mesmas pessoas! Será que seria mesmo divertido sempre?! Por mais que uma pessoa goste de trabalhar, de comer, de dormir, de ver filme, isso ia virar um tédio certo dia. Eu ia pirar.
Antes eu programava o fim de semana seguinte quando ainda estava terminando um fim de semana. Hoje eu não sei o que vou fazer amanhã...
Claro que nem tudo é assim na doida, né?! Eu tenho alguns compromissos...
Mas o melhor mesmo é "deixar rolar" e ser feliz...
Não vou falar a frase da Marta Suplicy, mas é melhor relaxar e aproveitar a vida, o que ela nos oferece. Nem todo dia é de alegria, mas podemos fazer com que o nosso dia seja melhor.
"Depende de nós..."
Feliz
Estava eu aqui pensando: vou fazer 20 anos em 6 dias. Lembrei de quando tinha 12,14... Eu era louca para saber como me sentiria quando fizesse 18, 20. Hoje vejo que os anos vão passando e nem percebemos como as coisas mudaram.
Na verdade eu fico pensando que nada mudou.
Eu achava que ter 18 anos seria mudar radicalmente a minha vida.
Grande tolice!
Quando via uma menina de 18 anos, achava aquilo incrível e queria parecer mais velha para entrar em festas, para curtir a noite. Achava o máximo entrar numa festa para maiores de 18 quando ainda tinha 16. Burlar a segurança de uma boate era a coisa mais fantástica do mundo.
Hoje, fico morta de feliz quando o segurança pede minha identidade para entrar na festa.
Retrocesso!
Parei de usar salto alto...
Eles estão sumindo do meu sapateiro. Fazem calo, limitam meus movimentos! Uma chatice!
Como eu era boba aos 16... E vejo que ainda sou meio boba aos quase 20...
Será que um dia deixamos de ser bobos, tolos, ingênuos?!
Ficar feliz com coisas banais e sem importância...
É... Por que é totalmente bobo você achar legal o cara pedir sua identidade quando você vai entrar numa festa, mas já cheguei ao ponto de adorar que as pessoas achem que eu aparento menos idade (e nos 16 eu detestava).
Mas acho que aí está a alegria da vida...
Ficar feliz com uma pequena coisa é tão bom!!!
Hoje fiquei feliz porque almocei lazanha e depois comi mousse de chocolate... De tarde tomei duas bolas de sorvete: uma de cupuaçu e outra de naga-goiaba... Tão gostoso...
O dia foi tão leve...
Aí descobri que sou feliz.
Sou feliz por aproveitar as coisas simples da vida.
Na verdade eu fico pensando que nada mudou.
Eu achava que ter 18 anos seria mudar radicalmente a minha vida.
Grande tolice!
Quando via uma menina de 18 anos, achava aquilo incrível e queria parecer mais velha para entrar em festas, para curtir a noite. Achava o máximo entrar numa festa para maiores de 18 quando ainda tinha 16. Burlar a segurança de uma boate era a coisa mais fantástica do mundo.
Hoje, fico morta de feliz quando o segurança pede minha identidade para entrar na festa.
Retrocesso!
Parei de usar salto alto...
Eles estão sumindo do meu sapateiro. Fazem calo, limitam meus movimentos! Uma chatice!
Como eu era boba aos 16... E vejo que ainda sou meio boba aos quase 20...
Será que um dia deixamos de ser bobos, tolos, ingênuos?!
Ficar feliz com coisas banais e sem importância...
É... Por que é totalmente bobo você achar legal o cara pedir sua identidade quando você vai entrar numa festa, mas já cheguei ao ponto de adorar que as pessoas achem que eu aparento menos idade (e nos 16 eu detestava).
Mas acho que aí está a alegria da vida...
Ficar feliz com uma pequena coisa é tão bom!!!
Hoje fiquei feliz porque almocei lazanha e depois comi mousse de chocolate... De tarde tomei duas bolas de sorvete: uma de cupuaçu e outra de naga-goiaba... Tão gostoso...
O dia foi tão leve...
Aí descobri que sou feliz.
Sou feliz por aproveitar as coisas simples da vida.
segunda-feira, 25 de junho de 2007
Queria trabalhar... Tô com essa idéia fixa na cabeça! Acho que a idade tá chegando e sinto uma necessidade de ganhar aquele velho "dinheiro suado", sem ser de pensão de pai, de mãe... O dinheiro batalhado mesmo, nem que seja pouco... Só para eu ter o gosto de ganhar algo fruto do meu esforço...
Mandei meu currículo para dois locais... Será que vão ao menos ler o pobrezito?!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Acho que não é tao ruim assim meu currículo! O problema é que ainda não tenho experiência... Mas todos começam sem experiência, não é?!
Bom...
Deu vontade de escrever um pouco sobre esse meu desejo. É que a vida anda meio parada... Gosto da agitação e acho que um emprego será ótimo para acabar o marasmo!
Uiii!
Boa noite!
Mandei meu currículo para dois locais... Será que vão ao menos ler o pobrezito?!
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Acho que não é tao ruim assim meu currículo! O problema é que ainda não tenho experiência... Mas todos começam sem experiência, não é?!
Bom...
Deu vontade de escrever um pouco sobre esse meu desejo. É que a vida anda meio parada... Gosto da agitação e acho que um emprego será ótimo para acabar o marasmo!
Uiii!
Boa noite!
sábado, 23 de junho de 2007
E eu
Estava pensando em escrever algo de interessante, mas simplesmente não consigo pensar em nada. Parece que minha cabeça já não consegue raciocinar com a loucura do fim do semestre. Decidi arriscar...
Login:pamelalemos
Senha: ********************************************
Entrei no blog para ver se tinha coragem de clicar em NOVA POSTAGEM...
Cá estou tentando escrever... miolo de pote? Talvez...
Nem sei se alguém perderá o precioso tempo que Deus deu para ler esse texto até a metade... Se é que metede terá.
Hoje estou meio assim com vontade de fazer acontecer, com vontade de ir "caminhando contra o tempo, sem lenço sem documento", cheia de "alegria, alegria".
Isso deve ser reflexo da noite de ontem, com a pessoa amada.
Chega um tempo que basta um olho no olho pra identificar o amor...
Amor "exagerado"...
Amor que transborda harmonia, alegria, cumplicidade, afeto...
Amor amigo, amor paixão.
Hoje acordei meio assim... AMOR...
Na verdade, não acordei meio assim...
Acordei TODA AMOR...
Bom fim de semana amiguinhos!
Login:pamelalemos
Senha: ********************************************
Entrei no blog para ver se tinha coragem de clicar em NOVA POSTAGEM...
Cá estou tentando escrever... miolo de pote? Talvez...
Nem sei se alguém perderá o precioso tempo que Deus deu para ler esse texto até a metade... Se é que metede terá.
Hoje estou meio assim com vontade de fazer acontecer, com vontade de ir "caminhando contra o tempo, sem lenço sem documento", cheia de "alegria, alegria".
Isso deve ser reflexo da noite de ontem, com a pessoa amada.
Chega um tempo que basta um olho no olho pra identificar o amor...
Amor "exagerado"...
Amor que transborda harmonia, alegria, cumplicidade, afeto...
Amor amigo, amor paixão.
Hoje acordei meio assim... AMOR...
Na verdade, não acordei meio assim...
Acordei TODA AMOR...
Bom fim de semana amiguinhos!
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Papa POP?
Sinceramente... NÃO AGUENTO MAIS A COBERTURA DA VIAGEM DO PAPA! DA CHEGADA DO PAPA! DO DISCURSO DO PAPA! DO ENCONTRO DO PAPA! DOS ESQUEMA DE SEGURANÇA MONTADO PARA RECEBER O PAPA! DA VOLTA DO PAPA!
É PAPA DEMAIS E O BEBÊ JÁ ENGASGOU!
Será que somos obrigados a ver todo o trajeto do pontífice e saber até a hora que ele vai comer ou tomar banho, ou pior, fazer as necessidades?!
Parece que não tem mais nada acontecendo nesse país que não seja a presença do Bento XVI! E como sempre acontece quando alguém "importante" vem ao país, não se fala em nada que não seja esse alguém!
Mas qual o motivo dessa cobertura excessiva?
Tudo bem. Estamos em um país de maioria católica (até eu sou católica), mas não vivemos em função da vinda do papa! Muito menos de Bento. Nada carismático! Nada pop... Nem perto do João Paulo II!
Será que falar sobre a vinda do Papa é mais importante que discutir sobre a aprovação de reajuste salarial de parlamentares, presidente e ministros que foi votada hoje na Câmara?!
Só queria que as discussões importantes não fossem mascaradas com a chegada do Papa, ou do Bush, ou com a Copa do Mundo... Ou com os Jogos Panamericanos...
Mas já sei que é bem difícil...
E haja fatos pops para cobrirem as mazelas do país!
É PAPA DEMAIS E O BEBÊ JÁ ENGASGOU!
Será que somos obrigados a ver todo o trajeto do pontífice e saber até a hora que ele vai comer ou tomar banho, ou pior, fazer as necessidades?!
Parece que não tem mais nada acontecendo nesse país que não seja a presença do Bento XVI! E como sempre acontece quando alguém "importante" vem ao país, não se fala em nada que não seja esse alguém!
Mas qual o motivo dessa cobertura excessiva?
Tudo bem. Estamos em um país de maioria católica (até eu sou católica), mas não vivemos em função da vinda do papa! Muito menos de Bento. Nada carismático! Nada pop... Nem perto do João Paulo II!
Será que falar sobre a vinda do Papa é mais importante que discutir sobre a aprovação de reajuste salarial de parlamentares, presidente e ministros que foi votada hoje na Câmara?!
Só queria que as discussões importantes não fossem mascaradas com a chegada do Papa, ou do Bush, ou com a Copa do Mundo... Ou com os Jogos Panamericanos...
Mas já sei que é bem difícil...
E haja fatos pops para cobrirem as mazelas do país!
terça-feira, 3 de abril de 2007
Encontro debate opressões
O Encontro Regional dos Estudantes de Comunicação (Erecom), acontece no Centro de Humanidades da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, entre os dias 5 e 8 de abril e traz a discussão das opressões: uma das bandeiras de luta da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos).

Cirandas – Um novo movimento superando as opressões. Esse foi o tema escolhido pelos estudantes de comunicação. O intuito dos estudantes é fazer as pessoas refletirem sobre a forma como a sociedade trata os grupos oprimidos. A inspiração da ciranda surgiu porque ela é uma dança sem preconceitos quanto ao sexo, idade, raça, raízes, condição social ou econômica.
Ganharam destaque na discussão do encontro as opressões contra negros, mulheres e homossexuais. As três opressões mais discutidas pela Enecos serão abordadas nos painéis que começam na noite de quinta-feira. As demais opressões serão discutidas nos outros espaços do encontro.
O Erecom reúne estudantes de comunicação das regiões Norte e Nordeste 3 (Ceará, Piauí e Maranhão) e alguns representantes de outros estados brasileiros. Em 2004, Fortaleza já havia sediado o Encontro Nacional dos Estudantes de Comunicação (Enecom). Esse ano, os alunos esperam obter o mesmo êxito do encontro passado.
Serviço: Comissão Organizadora do Erecom: (85) 3366-7469
http://erecomfortaleza2007.oktiva.com.br
terça-feira, 27 de março de 2007
Ter ou não ter namorado?
"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, de saliva, de lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabiru, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo, é muito difícil.
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se pode proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo aflição. Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, e dois amantes, mesmo assim ainda não pode ter namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão de duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos de amor com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou fuguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos kilos de grilo e medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estuvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galantearia. Se você não tem namorado porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida passar e de repente parecer que tudo faz sentido:
Enlou-cresça"
Carlos Drummond
Namorado não precisa ser o mais bonito, mas aquele a quem se pode proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio e quase desmaia pedindo proteção. A proteção não precisa ser parruda, decidida, ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo aflição. Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, e dois amantes, mesmo assim ainda não pode ter namorado.
Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão de duas, medo do pai, sanduíche de padaria ou drible no trabalho. Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar sorvete ou lagartixa e quem ama sem alegria. Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos de amor com a felicidade ainda que rápida, escondida, fugida ou impossível de durar. Não tem namorado quem não sabe o valor de mãos dadas; de carinho escondido na hora em que passa o filme: de flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque lida bem devagar; gargalhada quando fala junto ou descobre meia rasgada; de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo alado, tapete mágico ou fuguete interplanetário.
Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor, nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele, abobalhados de alegria pela lucidez do amor. Não tem namorado quem não redescobre a criança própria e a do amado e sai com ela para parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.
Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não chateia com o fato de o seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir; quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia de sol em plena praia cheia de rivais.
Não tem namorado quem ama sem se dedicar; quem namora sem brincar; quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele. Não tem namorado quem confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.
Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos kilos de grilo e medo, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estuvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galantearia. Se você não tem namorado porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida passar e de repente parecer que tudo faz sentido:
Enlou-cresça"
Carlos Drummond
quarta-feira, 14 de março de 2007
O SABOR DO CEARÁ
Os índios iniciaram a tradição. Os portugueses acrescentaram alguns detalhes. Hoje, a tapioca, popularizada principalmente no Norte e Nordeste brasileiro, já faz sucesso nos grandes restaurantes nacionais. A matéria prima é a goma extraída da farinha de mandioca. O resultado? Inúmeros tipos de tapioca. Das mais simples às mais sofisticadas. No Ceará, o Centro das Tapioqueiras e do Artesanato de Messejana é referência de qualidade e foi eleito pela revista Veja como local onde se encontra a melhor tapioca da cidade.
O Centro foi inaugurado em janeiro de 2002, durante o Governo de Tasso Jereissati. O motivo da criação do local foi a duplicação da rodovia CE-040, que liga Fortaleza à costa leste do Ceará. Com a duplicação da CE, as tapioqueiras que ficavam à margem da via, a cerca de 600 m do local atual, seriam prejudicadas. A pressão das tapioqueiras fez com que o Estado criasse o Centro, que se tornou ponto turístico de Fortaleza. Foram construídos 26 quiosques padronizados prontos para atender moradores e turistas. Desses 26 quiosques, 22 são para tapioqueiras e 4 são para vendedores de lanches. Lá é possível encontrar mais de 50 variedades de tapioca, que custam uma média de R$0,70 a R$5,00. A mais simples é a sem recheio. Pode ser na massa grossa, a redondinha, e na massa fina, em formato de panqueca.
No cardápio, o cliente encontra tapiocas com recheios doces e salgados. Dentre as tapiocas doces, a novidade é a de chocolate com morango. Já dentre as salgadas, a “Tapizza” é a nova sensação. O recheio é feito com calabresa, bacon, catupiry e orégano. Mas, segundo os donos dos quiosques, os recheios podem ser alterados pelo cliente. “Aqui quem manda é o cliente”, disse Reginaldo Costa de Sousa, permissionário da Tapioqueira “Silvia Helena”. Segundo ele, o cliente pode ver os ingredientes que estão no cardápio e mesclar para conseguir o sabor desejado e, se a pessoa desejar algo que não está no cardápio, dá-se um jeito: “Se for preciso um frango assado, eu pego do outro lado da rua”.
A parceria entre os donos dos quiosques também facilita o atendimento aos clientes. Reginaldo conta que não vende caldo, mas que uma outra tapioqueira vende. Se o cliente estiver na mesa dele e quiser tomar um caldo, ele vai à vizinha e pega. Se a vizinha estiver com um cliente que quer comer uma tapioca feita por Reginaldo, o pedido também é atendido. “Nós (donos das tapioqueiras) somos muito unidos”, disse Reginaldo.
Através dessa união foi possível comemorar os aniversários do Centro fazendo as tapiocas gigantes. Ano passado a tapioca tinha 120 metros. Cada tapioqueira era responsável por fazer cerca de cinco metros de tapioca. Esse ano, eles pretendem quebrar o recorde estabelecido ano passado. Especula-se que eles farão uma tapioca de 150 metros. Parece muito, mas acaba rápido. Ano passado, foram tantas pessoas que, em cerca de cinco minutos, a tapioca gigante acabou.
Motivos para se reunir no Centro
Bom atendimento e qualidade são atrativos para os clientes. No período de alta estação o movimento é intenso todos os dias. Nos outros meses, os dias mais movimentados são sábado e domingo. Os clientes são variados. Nas mesas é possível encontrar casais, famílias, amigos, jovens ou idosos. Um grupo que marca presença no local é o dos ciclistas. Alguns chegam a ir cerca de quatro vezes por semana ao local. É o caso de José Euclides, 42 anos, Thiago “Topogígio”, 19 anos e Humberto Barroso, o “Tonelada”, 27 anos.
Os três costumam ir ao Centro após a pedalada de trinta quilômetros. Na semana eles costumam pedalar de segunda a quinta-feira à noite; nos finais de semana eles pedalam pelo menos um dia no começo da manhã, mas só quando não estão de ressaca. Humberto é professor de educação física de José e Thiago, mas quem começou a pedalar foi José. Influenciado por José, o professor passou a pedalar e acabou levando o outro aluno para a estrada.
Humberto conta que no início o grupo era bem maior. O dono de uma loja de bicicletas, localizada próxima ao Centro, organizou um passeio dias de segunda e quarta-feira de noite. O grupo chegou a ter cerca de oitenta ciclistas. Mas, com o tempo, as pessoas se dispersaram por incompatibilidade de horário e acabaram formando grupos menores. O que não mudou foi o local de encontro dos ciclistas: o Centro das Tapioqueiras.
É no Centro que eles deixam o carro e se encontram para iniciar a pedalada. Os ciclistas contam que antes até era possível ir direto de bicicleta, mas a violência acabou fazendo com que eles fossem de carro até as tapioqueiras para de lá iniciar o percurso. Eles deixam o carro lá e na volta param para comer tapioca. A mais pedida por José, Thiago e Humberto é a tapioca simples, no máximo com queijo coalho. A escolha tem justificativa: além de ser saborosa, é mais barata. E para eles têm de ser mesmo a mais barata, não saem de lá sem comer, pelo menos, duas tapiocas.
O Centro é mesmo um local de confraternizações. Não é raro ver mesas enormes com pessoas falando alto, rindo e se divertindo. O estudante Fábio Henrique do Amaral Barbieri, 17 anos, disse que a família dele costuma comemorar os aniversários comendo tapioca. Além dos aniversários, as confraternizações da empresa do pai dele costumam ser realizadas nas tapioqueiras. Entre os motivos para a escolha do local, o mais simples: comida boa. Segundo Fábio as tapiocas já foram um pouco mais baratas. Mas, apesar do aumento nos preços, o local é limpo, organizado e o serviço é de qualidade.
A qualidade do serviço e as dificuldades dos antigos tapioqueiros
A qualidade do serviço foi conseguida através dos cursos que as tapioqueiras tiveram de fazer para poder ficar no Centro. Segundo Valdenize Gomes David, permissionária da tapioqueira “São Rafael, 70 anos de experiência”, quando as tapioqueiras chegaram lá tiveram de fazer vários cursos do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).
Os cursos, segundo Valdenize, foram um dos motivos para que antigos tapioqueiros desistissem da permissão para ocupar um quiosque no Centro. Os tapioqueiros antigos estavam acostumados a fazer a tapioca tradicional, redondinha. Com a criação do Centro foi exigido que eles aprendessem novas técnicas para fabricar a tapioca de massa fina. A fiscalização sanitária era um outro problema. No Centro havia uma maior cobrança, e os tapioqueiros ainda não estavam acostumados a algumas exigências do mercado.
Tradição familiar
Por conta das dificuldades encontradas pelos antigos tapioqueiros, os que tinham família grande acabaram passando a permissão para os filhos. Valdenize é um exemplo. O pai dela, Rafael Carneiro, tinha uma tapioqueira no Eusébio (um irmão de Valdenize ficou no ponto após a morte de Rafael, pouco antes da inauguração do Centro). Mas a tradição é ainda mais antiga: o avô de Rafael já era tapioqueiro. Na família, a arte de fazer tapioca é passada de pais para filhos.
Valdenize conta que ainda criança já fazia tapioca. As três filhas dela já aprenderam o ofício, inclusive a mais nova, de 10 anos. Entretanto, por conta da fiscalização, a mais nova não trabalha no local, apesar de, segundo Valdenize, adorar ajudar a mãe. Quem mais ajuda Valdenize é a filha do meio, de 16 anos. A mais velha, de 21, é o orgulho de Valdenize. Já ajudou muito, mas agora passa a maior parte do tempo na Universidade Federal do Ceará, onde cursa Ciências Contábeis.
A ajuda dos familiares é muito comum nos quiosques. O trabalho das tapioqueiras é muito pesado. Valdenize divide o trabalho com a irmã, Maria José. A divisão é semanal: a cada semana uma delas fica responsável pelo trabalho e pelo faturamento do quiosque. Nos finais de semana, quando o movimento é mais intenso, além do marido e de outros parentes, Valdenize conta com a ajuda de quatro funcionários.
A arte da tapioca
A arte de fazer tapioca não é para qualquer um. Deixar a goma no ponto exige muita experiência. Maria Conceição de Melo, permissionária da tapioqueira “Santa Helena, a Pioneira”, não passa a tarefa de molhar e peneirar a farinha para ninguém. Ela mesma cuida do preparo da goma e do feitio das tapiocas. Dona Conceição conta com a ajuda do marido, o Sebastião, para ajudá-la no preparo dos recheios que acompanham a tapioca. Além dele, dona Conceição conta com a ajuda de mais dois ou três funcionários.
Todos sabem fazer a tapioca, pois pode haver um caso de necessidade, mas Dona Conceição prefere ficar à beira do fogão e preparar as tapiocas deliciosas. Ela mesma cria os novos recheios. Antes de colocá-los no cardápio, experimenta cada novo sabor e diz: “Eu não gosto de coisa ruim”. Se ela não aprovar a mistura, não serve para os clientes. Se o cliente quiser algo que não esteja entre as criações de dona Conceição, não tem problema: “O que ele (o cliente) pedir, eu to fazendo”.
Dona Conceição não para. Quando o movimento é menor, utiliza o fogão a gás, mas quando o movimento aumenta, apela para o fogão à lenha, que está presente em todas as tapioqueiras. O motivo para não utilizar sempre o forno à lenha é simples: é muito caro. Apesar de aquecer mais rápido, para alguns tapioqueiros só compensa usar a lenha quando vão fazer muitas tapiocas. Por isso, dona Conceição preferiu ter as duas opções. Já Reginaldo, da “Silvia Helena”, utiliza apenas o forno à lenha para fazer tapioca e diz que tem um gasto mensal de R$400,00 só com lenha.
Utilizando ou não forno à lenha, o fato é que no Centro das Tapioqueiras o trabalho não para. Nas madrugadas dos finais de semana também é possível encontrar gente trabalhando. Dona Valdenize, da “São Rafael”, é uma delas. Ela conta que os quiosques que ficam mais para dentro do Centro não são tão privilegiados quando os primeiros. Por isso, ela e alguns outros donos de quiosques resolveram trabalhar na madrugada.
A partir de 3h eles vão para o local e pegam os clientes que voltam das festas. Valdenize conta que alguns clientes causam problemas ao tentar beber no Centro. Lá só é permitido vender cerveja. As outras bebidas alcoólicas são proibidas vender e consumir. Apesar dos problemas, Valdenize conta que trabalhando na madrugada ela consegue o dinheiro de um dia de trabalho, porque as tapioqueiras mais movimentadas não abrem na madrugada.
O trabalho é duro. Durante o dia, noite ou madrugada, as tapioqueiras não param. Além das despesas pessoais, cada tapioqueira paga R$20,00 semanais para a Associação das Tapioqueiras (ATP). O dinheiro serve para cuidar da manutenção do banheiro e para a segurança do Centro. Tudo é pensado para fazer com que o local seja o melhor possível na hora de atender os clientes.
Simpatia? Não falta. Mesmo cansada, dona Conceição sorri. Os olhos azuis brilham ao ver os clientes saboreando a tapioca. Ela faz questão de ir à mesa e perguntar se está boa. Já Reginaldo não costuma fazer a tapioca. O que gosta mesmo é de atender os clientes. Isso, ele faz muito bem. Sorriso no rosto e bom humor fazem com que os clientes saiam satisfeitos e pensem em voltar para saborear mais uma tapioca. E que tapioca!
Serviço: O Centro das Tapioqueiras está localizado na Avenida Washington Soares, 10215, em Messejana. Fica na saída de Fortaleza, em direção à Costa do Sol Nascente, na intercessão com a Estrada do Fio.
O Centro foi inaugurado em janeiro de 2002, durante o Governo de Tasso Jereissati. O motivo da criação do local foi a duplicação da rodovia CE-040, que liga Fortaleza à costa leste do Ceará. Com a duplicação da CE, as tapioqueiras que ficavam à margem da via, a cerca de 600 m do local atual, seriam prejudicadas. A pressão das tapioqueiras fez com que o Estado criasse o Centro, que se tornou ponto turístico de Fortaleza. Foram construídos 26 quiosques padronizados prontos para atender moradores e turistas. Desses 26 quiosques, 22 são para tapioqueiras e 4 são para vendedores de lanches. Lá é possível encontrar mais de 50 variedades de tapioca, que custam uma média de R$0,70 a R$5,00. A mais simples é a sem recheio. Pode ser na massa grossa, a redondinha, e na massa fina, em formato de panqueca.
No cardápio, o cliente encontra tapiocas com recheios doces e salgados. Dentre as tapiocas doces, a novidade é a de chocolate com morango. Já dentre as salgadas, a “Tapizza” é a nova sensação. O recheio é feito com calabresa, bacon, catupiry e orégano. Mas, segundo os donos dos quiosques, os recheios podem ser alterados pelo cliente. “Aqui quem manda é o cliente”, disse Reginaldo Costa de Sousa, permissionário da Tapioqueira “Silvia Helena”. Segundo ele, o cliente pode ver os ingredientes que estão no cardápio e mesclar para conseguir o sabor desejado e, se a pessoa desejar algo que não está no cardápio, dá-se um jeito: “Se for preciso um frango assado, eu pego do outro lado da rua”.
A parceria entre os donos dos quiosques também facilita o atendimento aos clientes. Reginaldo conta que não vende caldo, mas que uma outra tapioqueira vende. Se o cliente estiver na mesa dele e quiser tomar um caldo, ele vai à vizinha e pega. Se a vizinha estiver com um cliente que quer comer uma tapioca feita por Reginaldo, o pedido também é atendido. “Nós (donos das tapioqueiras) somos muito unidos”, disse Reginaldo.
Através dessa união foi possível comemorar os aniversários do Centro fazendo as tapiocas gigantes. Ano passado a tapioca tinha 120 metros. Cada tapioqueira era responsável por fazer cerca de cinco metros de tapioca. Esse ano, eles pretendem quebrar o recorde estabelecido ano passado. Especula-se que eles farão uma tapioca de 150 metros. Parece muito, mas acaba rápido. Ano passado, foram tantas pessoas que, em cerca de cinco minutos, a tapioca gigante acabou.
Motivos para se reunir no Centro
Bom atendimento e qualidade são atrativos para os clientes. No período de alta estação o movimento é intenso todos os dias. Nos outros meses, os dias mais movimentados são sábado e domingo. Os clientes são variados. Nas mesas é possível encontrar casais, famílias, amigos, jovens ou idosos. Um grupo que marca presença no local é o dos ciclistas. Alguns chegam a ir cerca de quatro vezes por semana ao local. É o caso de José Euclides, 42 anos, Thiago “Topogígio”, 19 anos e Humberto Barroso, o “Tonelada”, 27 anos.
Os três costumam ir ao Centro após a pedalada de trinta quilômetros. Na semana eles costumam pedalar de segunda a quinta-feira à noite; nos finais de semana eles pedalam pelo menos um dia no começo da manhã, mas só quando não estão de ressaca. Humberto é professor de educação física de José e Thiago, mas quem começou a pedalar foi José. Influenciado por José, o professor passou a pedalar e acabou levando o outro aluno para a estrada.
Humberto conta que no início o grupo era bem maior. O dono de uma loja de bicicletas, localizada próxima ao Centro, organizou um passeio dias de segunda e quarta-feira de noite. O grupo chegou a ter cerca de oitenta ciclistas. Mas, com o tempo, as pessoas se dispersaram por incompatibilidade de horário e acabaram formando grupos menores. O que não mudou foi o local de encontro dos ciclistas: o Centro das Tapioqueiras.
É no Centro que eles deixam o carro e se encontram para iniciar a pedalada. Os ciclistas contam que antes até era possível ir direto de bicicleta, mas a violência acabou fazendo com que eles fossem de carro até as tapioqueiras para de lá iniciar o percurso. Eles deixam o carro lá e na volta param para comer tapioca. A mais pedida por José, Thiago e Humberto é a tapioca simples, no máximo com queijo coalho. A escolha tem justificativa: além de ser saborosa, é mais barata. E para eles têm de ser mesmo a mais barata, não saem de lá sem comer, pelo menos, duas tapiocas.
O Centro é mesmo um local de confraternizações. Não é raro ver mesas enormes com pessoas falando alto, rindo e se divertindo. O estudante Fábio Henrique do Amaral Barbieri, 17 anos, disse que a família dele costuma comemorar os aniversários comendo tapioca. Além dos aniversários, as confraternizações da empresa do pai dele costumam ser realizadas nas tapioqueiras. Entre os motivos para a escolha do local, o mais simples: comida boa. Segundo Fábio as tapiocas já foram um pouco mais baratas. Mas, apesar do aumento nos preços, o local é limpo, organizado e o serviço é de qualidade.
A qualidade do serviço e as dificuldades dos antigos tapioqueiros
A qualidade do serviço foi conseguida através dos cursos que as tapioqueiras tiveram de fazer para poder ficar no Centro. Segundo Valdenize Gomes David, permissionária da tapioqueira “São Rafael, 70 anos de experiência”, quando as tapioqueiras chegaram lá tiveram de fazer vários cursos do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e do Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial).
Os cursos, segundo Valdenize, foram um dos motivos para que antigos tapioqueiros desistissem da permissão para ocupar um quiosque no Centro. Os tapioqueiros antigos estavam acostumados a fazer a tapioca tradicional, redondinha. Com a criação do Centro foi exigido que eles aprendessem novas técnicas para fabricar a tapioca de massa fina. A fiscalização sanitária era um outro problema. No Centro havia uma maior cobrança, e os tapioqueiros ainda não estavam acostumados a algumas exigências do mercado.
Tradição familiar
Por conta das dificuldades encontradas pelos antigos tapioqueiros, os que tinham família grande acabaram passando a permissão para os filhos. Valdenize é um exemplo. O pai dela, Rafael Carneiro, tinha uma tapioqueira no Eusébio (um irmão de Valdenize ficou no ponto após a morte de Rafael, pouco antes da inauguração do Centro). Mas a tradição é ainda mais antiga: o avô de Rafael já era tapioqueiro. Na família, a arte de fazer tapioca é passada de pais para filhos.
Valdenize conta que ainda criança já fazia tapioca. As três filhas dela já aprenderam o ofício, inclusive a mais nova, de 10 anos. Entretanto, por conta da fiscalização, a mais nova não trabalha no local, apesar de, segundo Valdenize, adorar ajudar a mãe. Quem mais ajuda Valdenize é a filha do meio, de 16 anos. A mais velha, de 21, é o orgulho de Valdenize. Já ajudou muito, mas agora passa a maior parte do tempo na Universidade Federal do Ceará, onde cursa Ciências Contábeis.
A ajuda dos familiares é muito comum nos quiosques. O trabalho das tapioqueiras é muito pesado. Valdenize divide o trabalho com a irmã, Maria José. A divisão é semanal: a cada semana uma delas fica responsável pelo trabalho e pelo faturamento do quiosque. Nos finais de semana, quando o movimento é mais intenso, além do marido e de outros parentes, Valdenize conta com a ajuda de quatro funcionários.
A arte da tapioca
A arte de fazer tapioca não é para qualquer um. Deixar a goma no ponto exige muita experiência. Maria Conceição de Melo, permissionária da tapioqueira “Santa Helena, a Pioneira”, não passa a tarefa de molhar e peneirar a farinha para ninguém. Ela mesma cuida do preparo da goma e do feitio das tapiocas. Dona Conceição conta com a ajuda do marido, o Sebastião, para ajudá-la no preparo dos recheios que acompanham a tapioca. Além dele, dona Conceição conta com a ajuda de mais dois ou três funcionários.
Todos sabem fazer a tapioca, pois pode haver um caso de necessidade, mas Dona Conceição prefere ficar à beira do fogão e preparar as tapiocas deliciosas. Ela mesma cria os novos recheios. Antes de colocá-los no cardápio, experimenta cada novo sabor e diz: “Eu não gosto de coisa ruim”. Se ela não aprovar a mistura, não serve para os clientes. Se o cliente quiser algo que não esteja entre as criações de dona Conceição, não tem problema: “O que ele (o cliente) pedir, eu to fazendo”.
Dona Conceição não para. Quando o movimento é menor, utiliza o fogão a gás, mas quando o movimento aumenta, apela para o fogão à lenha, que está presente em todas as tapioqueiras. O motivo para não utilizar sempre o forno à lenha é simples: é muito caro. Apesar de aquecer mais rápido, para alguns tapioqueiros só compensa usar a lenha quando vão fazer muitas tapiocas. Por isso, dona Conceição preferiu ter as duas opções. Já Reginaldo, da “Silvia Helena”, utiliza apenas o forno à lenha para fazer tapioca e diz que tem um gasto mensal de R$400,00 só com lenha.
Utilizando ou não forno à lenha, o fato é que no Centro das Tapioqueiras o trabalho não para. Nas madrugadas dos finais de semana também é possível encontrar gente trabalhando. Dona Valdenize, da “São Rafael”, é uma delas. Ela conta que os quiosques que ficam mais para dentro do Centro não são tão privilegiados quando os primeiros. Por isso, ela e alguns outros donos de quiosques resolveram trabalhar na madrugada.
A partir de 3h eles vão para o local e pegam os clientes que voltam das festas. Valdenize conta que alguns clientes causam problemas ao tentar beber no Centro. Lá só é permitido vender cerveja. As outras bebidas alcoólicas são proibidas vender e consumir. Apesar dos problemas, Valdenize conta que trabalhando na madrugada ela consegue o dinheiro de um dia de trabalho, porque as tapioqueiras mais movimentadas não abrem na madrugada.
O trabalho é duro. Durante o dia, noite ou madrugada, as tapioqueiras não param. Além das despesas pessoais, cada tapioqueira paga R$20,00 semanais para a Associação das Tapioqueiras (ATP). O dinheiro serve para cuidar da manutenção do banheiro e para a segurança do Centro. Tudo é pensado para fazer com que o local seja o melhor possível na hora de atender os clientes.
Simpatia? Não falta. Mesmo cansada, dona Conceição sorri. Os olhos azuis brilham ao ver os clientes saboreando a tapioca. Ela faz questão de ir à mesa e perguntar se está boa. Já Reginaldo não costuma fazer a tapioca. O que gosta mesmo é de atender os clientes. Isso, ele faz muito bem. Sorriso no rosto e bom humor fazem com que os clientes saiam satisfeitos e pensem em voltar para saborear mais uma tapioca. E que tapioca!
Serviço: O Centro das Tapioqueiras está localizado na Avenida Washington Soares, 10215, em Messejana. Fica na saída de Fortaleza, em direção à Costa do Sol Nascente, na intercessão com a Estrada do Fio.
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